Sem palavras…
Não há como admitir tanto sofrimento junto. Parece filme de terror.
Três dias sem telefone, sem energia elétrica, apenas um rádio a pilha que ainda funcionava para ouvir tanta desgraça. Agradeço todos os dias por estar apenas ouvindo, por não estar em meio a essas famílias desalojadas, em meio a essas dezenas de pessoas que perderam seus parentes e até mesmo comparando-me a quem nem tem o que comer. Helicópteros não param de passar aqui por perto, e eu vibro por imaginar que algumas vidas em instantes serão salvas por eles! Lamento a cada notícia triste, por não ter como ajudar de alguma forma. Queria eu ter a experiência e sangue frio desses salvadores de vida para ajudar nas buscas, ou pelo menos tranqüilizar essas famílias. Sei que estão fazendo o que podem, e esses, são verdadeiros heróis.
É como se cada partícula desse cenário fosse me congelando por dentro. As lágrimas não escorrem mais pelo meu rosto. Elas não se formam mais. Está tudo escuro, camuflado entre a tristeza que invade, entre o anúncio de mais uma morte no vale.
Realmente a gente não sabe nem um terço de tudo o que acontece. Só visitando esses locais pra sentir na pele, para tentar imaginar o desespero dessas famílias, e isso dói.
O único pedido que faço, se é que tenho esse direito, é PAZ para essas famílias que perderam suas casas, que perderam parentes, que perderam quem sabe o gosto pela vida. Há dor, há muita tristeza, mas ainda existe a VIDA e a única certeza é que um dia estaremos todos no mesmo lugar destes queridos amigos que partiram. Não se sabe quanto tempo resta, mas até lá, vamos tentar ser pessoas melhores, vamos praticar o bem! Vamos aquecer nossos corações com sentimentos bons e vamos ajudar essas famílias. Isso faz bem pro corpo, mente e alma! É disso que precisamos.
“O tempo passa e nem tudo fica. A obra inteira de uma vida. O que se move e o que nunca vai se mover…” (Sobre o tempo – Nenhum de Nós)